O que uma política de TI de home office precisa responder?
Uma política de TI para home office não precisa ser longa: precisa responder quatro perguntas — de quem é o equipamento, como se chega aos sistemas, onde o dado pode ficar e quem atende quando falha. Empresa que nunca respondeu isso por escrito já respondeu na prática, só não sabe qual foi a resposta.
Home office deixou de ser exceção e, na maioria das empresas que atendemos, nunca virou regra escrita. O combinado foi verbal, feito às pressas, e cada pessoa preencheu as lacunas do jeito que deu: uma usa o computador de casa, outra levou o da empresa sem registro, uma terceira salva tudo na área de trabalho e nunca mais ninguém viu aqueles arquivos. Uma política de TI para home office existe para tirar essas decisões do improviso.
Pergunta 1: de quem é o equipamento
É a decisão que define todas as outras, e a que mais se evita tomar:
- Equipamento da empresa permite padronizar, aplicar atualização, instalar o antivírus corporativo e recolher no desligamento. É mais caro e é o caminho limpo.
- Equipamento pessoal é mais barato e traz junto uma pergunta sem resposta boa: o que acontece com o dado da empresa que ficou na máquina de alguém que saiu.
- Se for equipamento pessoal, a política precisa dizer o mínimo exigido: sistema com suporte, atualização em dia, antivírus ativo, disco com criptografia e conta sem privilégio de administrador para o uso do dia a dia.
Não existe resposta universal aqui. Existe resposta escrita ou resposta improvisada.
Pergunta 2: como se chega aos sistemas
Acesso remoto feito de qualquer jeito é a porta mais usada em incidente de empresa pequena:
- Serviço em nuvem se acessa direto, com verificação em duas etapas obrigatória. Sem a segunda etapa, senha vazada é acesso liberado.
- Sistema interno se acessa por VPN, e não expondo a porta de acesso remoto na internet. Porta aberta é varrida em horas.
- Cada pessoa tem a própria conta. Conta compartilhada torna impossível saber quem fez o quê.
- Acesso de terceiro, quando existir, é temporário e revisado.
Vale um alerta específico: ferramenta de acesso remoto instalada de forma permanente na máquina de casa, com senha fixa, é o caminho preferido do golpe do falso suporte técnico.
Pergunta 3: onde o dado pode ficar
O princípio que funciona é simples de enunciar e difícil de manter: o arquivo da empresa mora na área da empresa.
- Documento de trabalho na área compartilhada, não na área de trabalho da máquina.
- Nada de salvar em serviço pessoal de nuvem, mesmo que seja mais prático.
- Nada de mandar arquivo de trabalho por aplicativo de mensagem pessoal, porque depois ninguém encontra.
- Pen drive só quando não houver alternativa, e nunca como lugar onde o arquivo fica.
- Impresso em casa exige combinação sobre o que fazer com o papel depois.
Pergunta 4: quem atende quando falha
A parte que quase nunca está escrita e que gera o maior atrito no dia do problema:
- A internet da casa é responsabilidade de quem mora nela. A TI da empresa orienta, mas não gerencia o provedor de ninguém.
- O que a empresa suporta: sistema corporativo, acesso, conta, e-mail e o equipamento que é dela.
- Como se abre o chamado quando a pessoa está fora, e em que horário existe atendimento.
- O que fazer se o equipamento for roubado ou perdido — quem avisa quem, e em quanto tempo.
Esse último item é o que mais falta. Notebook roubado com sessão aberta e sem procedimento definido custa muito mais do que o notebook.
Como isso fica no contrato mensal
Política que ninguém revisa envelhece rápido: gente entra, gente sai, ferramenta muda e o acesso continua ativo. No acompanhamento mensal, a lista de quem acessa o quê é revisada, a verificação em duas etapas é conferida, o equipamento fora da empresa entra no inventário e o desligamento tem passo definido para encerrar acesso. Veja Migração para nuvem e os planos de suporte mensal.