Como saber se o backup da empresa restaura mesmo?
A única forma de saber se o backup funciona é restaurar. Relatório verde informa que o trabalho terminou, não que o dado volta: arquivo corrompido, base aberta durante a cópia e retenção curta demais produzem backup que roda todo dia e falha no dia em que é preciso.
A pergunta que fazemos em toda verificação de ambiente é a mesma: quando foi a última vez que alguém restaurou alguma coisa desse backup? A resposta mais comum é silêncio, seguida de 'mas ele roda todo dia e nunca deu erro'. Rodar e restaurar são eventos diferentes, e só o segundo importa.
Por que o relatório verde engana
O trabalho de backup pode terminar com sucesso e ainda assim produzir um arquivo do qual nada volta:
- Base de dados copiada aberta. Sem parar o serviço ou usar o mecanismo correto de cópia consistente, o arquivo gerado é uma fotografia tirada com o objeto se mexendo.
- Arquivo em uso ignorado. Muitos trabalhos simplesmente pulam o que está aberto, e registram sucesso mesmo assim.
- Destino cheio ou com falha silenciosa. Rotação que não apaga o antigo enche o disco, e o trabalho passa a gravar pela metade.
- Retenção curta demais. Se o problema só é percebido depois de duas semanas e a retenção é de sete dias, todas as cópias já contêm o problema.
- Cópia no mesmo lugar do original. Backup no mesmo servidor, ou em disco ligado permanentemente, é apagado ou criptografado junto com o resto.
Como é um teste de restauração de verdade
Não precisa ser complicado, precisa ser real:
- Escolha alguém da área de negócio, não da TI, e peça um arquivo específico de uma data específica. Se a TI escolhe o arquivo, o teste fica fácil demais.
- Restaure em um lugar separado, nunca por cima do original.
- Abra o arquivo restaurado no programa que o usa. Arquivo que restaura mas não abre não restaurou.
- Para sistema com banco de dados, restaure a base em um ambiente de teste e faça o sistema subir com ela. É o único teste que vale para esse caso.
- Cronometre. O tempo de restauração é uma informação que a empresa precisa ter ANTES da emergência.
- Registre o que foi testado, quando, por quem e quanto tempo levou.
O que o teste costuma revelar
Pelo que encontramos em campo, nesta ordem:
- A base de dados do sistema não estava no backup — só a pasta de arquivos estava.
- O backup parou de rodar meses atrás e o alerta ia para o e-mail de alguém que saiu da empresa.
- A restauração funciona, mas leva tempo demais para a operação suportar, e ninguém sabia disso.
- Falta a licença ou a chave do sistema para reinstalar, e o dado sozinho não resolve.
- Existe cópia, mas ninguém sabe qual é a senha do repositório onde ela está.
Nenhum desses itens aparece em relatório de backup. Todos aparecem no primeiro teste.
Com que frequência testar
A regra prática que usamos:
- Restauração de arquivo avulso: todo mês. É rápido e pega a maior parte dos problemas.
- Restauração de base de dados em ambiente de teste: a cada trimestre, e sempre antes de uma atualização grande.
- Simulação de perda do servidor inteiro: ao menos uma vez por ano, ou quando o ambiente mudar de forma relevante.
- Sempre que mudar alguma coisa: sistema novo, servidor novo, mudança de destino do backup.
Como isso fica no contrato mensal
Teste de restauração é rotina, e rotina é o que o atendimento avulso não faz: ninguém é chamado para testar backup. No contrato mensal isso tem periodicidade, responsável e registro — e o resultado vai para o relatório, com o tempo que a restauração levou. Veja Backup gerenciado e os planos de suporte mensal.