O que um relatório mensal de TI deve mostrar?
Um relatório mensal de TI útil responde a quatro perguntas: o que aconteceu, o que foi feito, o que está em risco agora e o que precisa de decisão da empresa. Relatório que só lista chamados atendidos é comprovante de trabalho, não instrumento de gestão.
Muita empresa recebe relatório mensal de TI e não lê, porque ele não ajuda a decidir nada: são páginas de chamados fechados e gráficos de tempo médio. A informação está lá e não serve. O que transforma o relatório em ferramenta é ele responder às perguntas que a direção realmente tem.
O que aconteceu no período
A parte factual, e ela precisa ser curta:
- Quantidade de chamados, separada por tipo — não só o total.
- O que mais gerou chamado, com a causa. Trinta chamados de impressora significam uma causa não resolvida, e não trinta problemas.
- Paradas ocorridas: o que parou, por quanto tempo, e por quê.
- Tempo de atendimento comparado ao que o contrato define.
- Mudanças aplicadas no ambiente, com data.
O item mais valioso aqui é o segundo: chamado recorrente é sintoma de causa não tratada, e o relatório precisa expor isso em vez de escondê-lo na contagem.
O que foi feito de rotina
A parte que o avulso nunca entrega, e que a empresa paga para ter:
- Backup: rodou, falhou em quais dias, e — o principal — o que foi restaurado no teste, quando e em quanto tempo.
- Atualizações aplicadas, em quais máquinas e servidores, e o que ficou pendente e por quê.
- Monitoramento: quais alertas dispararam e o que foi feito com cada um.
- Inventário: o que entrou, o que saiu, o que mudou de mãos.
- Acessos: contas criadas e encerradas, revisão de permissões realizada.
O que está em risco agora
A seção mais importante, e a que costuma faltar:
- Equipamento com sinal de falha — disco com indicação de problema, nobreak com bateria no fim, equipamento de rede com erro crescente.
- Sistemas fora de suporte, com a data em que saíram ou vão sair.
- Capacidade chegando ao limite: espaço em disco, banda do link, licenças.
- Riscos de segurança abertos: contas sem verificação em duas etapas, acesso exposto, privilégio administrativo em excesso.
- Pontos únicos de falha: o que, se parar, para a empresa sem alternativa.
- Pendências que dependem da empresa e estão paradas há quanto tempo.
Cada item com uma indicação de gravidade e do que acontece se nada for feito. Risco listado sem consequência não produz decisão.
O que precisa de decisão
A parte que fecha o ciclo e transforma relatório em gestão:
- O que exige investimento, com o motivo técnico e o que acontece se for adiado.
- O que exige janela de manutenção, com sugestão de data.
- O que exige decisão de processo — política, permissão, regra de uso — que não é da TI resolver.
- Renovações que vencem no próximo período: licenças, domínio, links, contratos de suporte.
- O plano do próximo mês, para que a empresa saiba o que esperar.
Um relatório bom cabe em poucas páginas e é lido pela direção em minutos. Se ele precisa de alguém traduzindo, ele não está fazendo o trabalho dele.
Como isso fica no contrato mensal
O relatório é a entrega visível do contrato mensal — é nele que aparece o trabalho que, por ser preventivo, ninguém vê acontecer. Ele fecha o ciclo: o que foi encontrado na implantação, o que virou rotina, o que segue em risco e o que depende de uma decisão da empresa. Veja Contrato de suporte mensal e os planos de suporte mensal.